💬 Dúvidas clínicas frequentes
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Ir ao FAQGuia clínico de atenção ao paciente com doença de Chagas baseado nos protocolos vigentes para diagnóstico, tratamento e acompanhamento.
Fonte: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Chagas. Ministério da Saúde, 2018 (Portaria SCTIE/MS nº 57/2018)
Antecedente epidemiológico (área com triatomíneo ou reservatórios infectados; casa de taipa, sapê, pau-a-pique ou madeira; transfusão de sangue antes de 1992; convivente ou familiar com Chagas; filho de mãe infectada) ou clínica compatível.
Determinar a fase provável — ela define o exame a pedir:
Padrão-ouro. Realizar exame a fresco e método de concentração simultaneamente:
Fresco → Strout → Micro-hematócrito → Creme leucocitário
Dois testes sorológicos de princípios distintos ou com diferentes preparações antigênicas, na mesma amostra:
ELISA IFI HAI WB CLIA
Podem ser dois ELISA, desde que com preparações antigênicas diferentes.
Anamnese + exame físico + ECG em todos os casos. Ecocardiograma se ECG alterado ou sintomas cardíacos.
A forma clínica define a conduta: tratar, decisão compartilhada ou não tratar (ver Tratamento).
Na fase aguda a parasitemia é alta e a pesquisa direta identifica o parasito no sangue periférico.
Na transmissão oral os quadros são mais graves: rash cutâneo, hemorragia digestiva, icterícia e insuficiência cardíaca. Em surtos, investigar os contatos domiciliares.
Benznidazol é a primeira linha em todas as fases e formas clínicas. Nifurtimox é a segunda linha, reservado à intolerância ou indisponibilidade do benznidazol, e não é usado em adultos na rotina.
Fonte: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Chagas. Ministério da Saúde, 2018 (Portaria SCTIE/MS nº 57/2018)
Primeira linha em todas as fases. Comprimidos de 12,5 mg (pediátrico) e 100 mg (adulto).
A formulação de 12,5 mg é solúvel em água, suco de laranja ou leite. Solicitar hemograma três semanas após o início, pelo risco de neutropenia.
Segunda linha, em comprimidos de 120 mg.
Não é recomendado na rotina em adultos: menor disponibilidade no país e mais eventos adversos. Reservar a crianças, adolescentes e adultos jovens com infecção recente e intolerância ao benznidazol. Dispensado apenas em centros de referência, sob demanda.
O tratamento antiparasitário não modifica a evolução das formas digestivas; o manejo é sintomático e segue, em linhas gerais, o das formas não chagásicas.
Megaesôfago: pequenos volumes, alimentos pastosos, evitar irritantes e não comer antes de deitar. Relaxar o esfíncter esofágico inferior com nifedipina 10 mg sublingual 30 minutos antes das refeições ou dinitrato de isossorbida 2,5 a 5 mg sublingual 15 minutos antes. O efeito é sintomático; suspender em caso de eventos adversos. A nifedipina é contraindicada em cardiopatia grave, pelo risco de hipotensão e retenção hidrossalina. Casos refratários: toxina botulínica, dilatação por balão ou cirurgia.
Megacólon: dieta rica em fibras, líquidos abundantes, evitar alimentos e medicamentos constipantes, usar laxativos emolientes ou osmóticos e supositórios de glicerol; cirurgia nos casos indicados.
Sempre excluir neoplasia e causas não chagásicas: acalasia idiopática, amiloidose, sarcoidose, refluxo e tumores; investigar com radiografia contrastada e endoscopia.
As alterações do ECG são o primeiro indicativo de acometimento cardíaco e permitem acompanhar a deterioração da função cardíaca.
Insuficiência cardíaca: tratar como a de outras etiologias — IECA ou ARA II, diurético e espironolactona; betabloqueador com cautela, porque pode acentuar bradicardia ou bloqueios de condução. Iniciar em paciente compensado, em dose baixa, e titular até a dose máxima tolerada, geralmente menor que em outras cardiopatias.
Arritmias: principal causa de morte; a morte súbita responde por 55 a 65 % dos óbitos. Amiodarona 200 mg/dia é o fármaco de escolha, com atenção a alterações tireoidianas, prolongamento do QT, torsades de pointes e fibrose pulmonar.
Avaliar encaminhamento para marca-passo, cardiodesfibrilador implantável ou transplante cardíaco, em serviço especializado.
Fonte: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Chagas. Ministério da Saúde, 2018 (Portaria SCTIE/MS nº 57/2018)
Fonte: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Chagas. Ministério da Saúde, 2018 (Portaria SCTIE/MS nº 57/2018)
Rastrear no pré-natal conforme o risco clínico-epidemiológico (idealmente junto a HIV, sífilis e hepatite B). Em gestantes de baixo risco a testagem de rotina não é recomendada.
Pesquisa parasitológica direta nos primeiros dias de vida — colher mais de uma amostra (podem ocorrer falso-negativos).
Notificar a transmissão materno-fetal identificada até os 2 anos de idade.
Anticorpos maternos podem dar falso-reagente no período neonatal; por isso a sorologia só é interpretável após os 9 meses. Uma titulação alta que persiste é forte indicativo de transmissão congênita.
Tratar todas as crianças e adolescentes com infecção crônica indeterminada ou digestiva: a negativação sorológica é mais provável, os eventos adversos são menos frequentes e intensos, e o tratamento precoce reduz a transmissão congênita futura.
Fonte: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Chagas. Ministério da Saúde, 2018 (Portaria SCTIE/MS nº 57/2018)
Mais de 50 % dos pacientes apresenta eventos adversos, mas as crianças toleram melhor que os adultos e a suspensão do tratamento por eventos adversos é pouco frequente.
A dose é calculada por quilo: os esquemas por faixa de peso são orientações práticas e não substituem o cálculo.
Os eventos adversos são frequentes e a principal causa de interrupção do tratamento; orientar antes de iniciar e manejar os sintomas evita boa parte das suspensões.
Cerca de 53 % dos pacientes apresenta algum evento adverso.
Cerca de 85 % dos pacientes apresenta eventos adversos.
Fonte: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Chagas. Ministério da Saúde, 2018 (Portaria SCTIE/MS nº 57/2018)
Parestesias podem corresponder a polineuropatia periférica, com impacto funcional e persistência por meses após a interrupção; nesses casos, suspender o antiparasitário e reavaliar.
Neutropenia: o hemograma deve ser solicitado três semanas após o início; diante de leucopenia ou neutropenia, suspender e reavaliar.
Hipersensibilidade cutânea grave, como a síndrome de Stevens-Johnson, é rara, mas exige suspensão imediata e avaliação especializada.
Nifurtimox: atenção a eventos neuropsiquiátricos — irritabilidade, insônia e alterações de humor.
Fonte: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Chagas. Ministério da Saúde, 2018 (Portaria SCTIE/MS nº 57/2018)
O rastreamento identifica pessoas assintomáticas ou com sintomas inespecíficos expostas a T. cruzi.
Gestantes sem sorologia prévia e com fatores de risco devem ser rastreadas; mulheres em idade fértil com sorologia negativa prévia não precisam repetir o teste, salvo forte suspeita de infecção desde a última testagem.
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