Chagas em Bolívia

Guia clínico de atenção ao paciente com doença de Chagas baseado nos protocolos vigentes para diagnóstico, tratamento e acompanhamento.

Protocolo vigenteMinistério da Saúde e Esportes da Bolívia — Programa Nacional de Chagas
Revisão2011 (Manual de Normas para el Diagnóstico y Tratamiento de Chagas Congénito, R.M. 1220; los manuales infantil y de reacciones adversas son de 2007: R.M. 0377 y R.M. 0626)

Diagnóstico

Resumo

Infecção aguda e congênita

  • Confirmar com exames parasitológicos diretos de concentração e/ou PCR.
  • Confirmar com uma segunda PCR toda PCR positiva em recém-nascido assintomático.
  • Repetir o exame em torno dos 30 dias de vida.
  • Se o resultado for negativo, fazer seguimento sorológico a partir dos 8 meses de vida.

Infecção crônica

A decisão cabe à autoridade sanitária local, de acordo com suas capacidades operacionais, normativas e epidemiológicas.

  • Com sistema de gestão da qualidade e verificação do desempenho: um único ELISA com sensibilidade ≥96 % e especificidade ≥97 %.
  • Sem essas garantias: dois testes sorológicos com antígenos diferentes (ELISA, HAI, IFI ou CMIA).

Estudos populacionais

  • Usar um único ELISA ou teste de imunocromatografia (ICT) com sensibilidade ≥90 %.

Triagem em hemoterapia

  • Usar um único teste de quimioluminescência, eletroluminescência ou ELISA com sensibilidade ≥99,5 %.
  • Encaminhar doadores reagentes a um centro especializado para definir seu estado sorológico.
Fonte: Guia para o diagnóstico e o tratamento da doença de Chagas. 2ª edição. OPAS, 2026

Testes sorológicos para infecção crônica

Consideram-se dois cenários para o diagnóstico da infecção crônica:

  • Com padrões de qualidade, gestão da qualidade e verificação do desempenho dos testes: um único ELISA com sensibilidade ≥96 % e especificidade ≥97 %.
  • Sem essas garantias: dois testes sorológicos com antígenos diferentes: ELISA, HAI, IFI ou CMIA.

Se forem usados dois testes e os resultados forem discordantes, realizar um terceiro teste ou encaminhar a amostra a um laboratório de referência.

Os testes de diagnóstico rápido não são recomendados nos algoritmos padrão; seu uso fica restrito à triagem ou vigilância em contextos com acesso limitado.

Quantificar o título de anticorpos no momento do diagnóstico permite avaliar a redução progressiva da resposta humoral como indicador de eficácia terapêutica.

Testes para infecção aguda e congênita

Métodos recomendados:

  • Exames parasitológicos diretos de concentração: micrométodo, microstrout e micro-hematócrito.
  • PCR.

Um resultado negativo não descarta a infecção: na transmissão congênita, fazer seguimento sorológico a partir dos 8 meses de vida; na infecção aguda não congênita, buscar soroconversão um mês após a detecção do caso.

A positividade de um exame parasitológico direto confirma a infecção aguda. Em pacientes sintomáticos, uma PCR positiva também confirma. Em recém-nascidos assintomáticos, uma PCR positiva deve ser confirmada com uma segunda PCR (cerca de 4–6 % são falsos positivos).

O pico de parasitemia ocorre em torno dos 30 dias de vida; repetir o exame nessa idade melhora a detecção.

Tratamento

Resumo

Indicações de tratamento

  • ✅ Adultos sem cardiopatia: tratamento tripanocida (recomendação forte).
  • ✅ Crianças com infecção crônica: tratamento tripanocida (recomendação forte).
  • 🔴 Adultos com cardiopatia: não indicar tratamento tripanocida (recomendação forte).
  • Pacientes jovens com cardiopatia leve, como um distúrbio de condução isolado: considerar tratamento com decisão compartilhada.
  • Pacientes imunossuprimidos: pode haver benefícios potenciais maiores.
  • Cardiopatia: garantir suporte terapêutico integral.
  • ✅ Infecção aguda ou congênita: tratamento tripanocida (recomendação forte).
  • ✅ Mulheres em idade fértil: tratamento tripanocida fora da gestação para prevenir a transmissão vertical (recomendação forte).

Medicamentos disponíveis

Benznidazol ou nifurtimox, não outras alternativas (azóis, fexinidazol) nem combinações (recomendação forte); indistintos conforme a disponibilidade e o perfil de eventos adversos.

Duração do tratamento

Benznidazol ou nifurtimox por 30 dias (recomendação condicional). Se a adesão por 30 dias é uma barreira, pode-se considerar um esquema de 15 dias.

Fonte: Guia para o diagnóstico e o tratamento da doença de Chagas. 2ª edição. OPAS, 2026

Esquema de tratamento com benznidazol

Casos agudos:

  • ≤40 kg: 7,5–10 mg/kg/dia por via oral.
  • >40 kg: 5–7 mg/kg/dia por via oral.

Casos congênitos:

  • 10 mg/kg/dia por via oral.

Infecção crônica:

  • ≤40 kg: 7,5 mg/kg/dia por via oral.
  • >40 kg: 5 mg/kg/dia por via oral.

Em todos os casos: fracionado em 2 ou 3 doses diárias, por 30 dias.

Perfil de efeitos adversos predominantemente cutâneo e neurológico.

Esquema de tratamento com nifurtimox

Casos agudos e crônicos:

  • ≤40 kg: 10–15 mg/kg/dia por via oral.
  • >40 kg: 8–10 mg/kg/dia por via oral.

Casos congênitos:

  • 10–15 mg/kg/dia por via oral.

Em todos os casos: fracionado em 2 ou 3 doses diárias, por 30 dias.

Perfil de efeitos adversos predominantemente digestivo e psiquiátrico (perda de peso por hiporexia).

Acompanhamento

Resumo

Os pacientes devem ser acompanhados de forma regular e sustentada.

Critérios de resposta ao tratamento

  • A redução progressiva dos títulos sorológicos e os exames parasitológicos ou PCR persistentemente negativos definem a resposta ao tratamento.
  • A negativação sorológica é observada em longo prazo.
  • Quantificar o título de anticorpos no diagnóstico permite acompanhar sua redução.

Populações especiais

  • Em pacientes imunossuprimidos (HIV, transplante, imunossupressores), vigiar a reativação da infecção (taxa média observada de 27,9 %).

Acompanhamento pós-tratamento

  • Fazer acompanhamento clínico e sorológico periódico após o tratamento tripanocida.
Fonte: Guia para o diagnóstico e o tratamento da doença de Chagas. 2ª edição. OPAS, 2026

Gravidez e Chagas congênito

Resumo

Triagem

  • Fazer triagem de toda gestante na primeira consulta pré-natal, no parto ou no puerpério com HAI ou outra prova convencional (MC pág. 14).
  • Basta uma única técnica, em tubo seco de ~3 mL (MC pág. 14); repetir o controle em gestações seguintes de soronegativas (MC pág. 17).

Tratamento

  • Não tratar durante a gestação: o benznidazol é contraindicado pelo risco teratogênico (MC pág. 18).
  • Confirmar a sorologia depois e encaminhar ao serviço de Chagas do adulto; vigiar dermatite, leucopenia, trombocitopenia, neuropatia periférica e Stevens-Johnson (MC pág. 18).

Recém-nascido

  • Coletar micrométodo (tubo capilar, microhematócrito) em sangue de cordão ou periférico.
  • Se negativo, repetir ao mês ou antes dos 6 meses.
  • Fazer sorologia entre 6 e 12 meses, de preferência aos 8 meses (MC págs. 16-17; MP pág. 60; MNO pág. 29).

Estudo familiar

  • Ampliar o estudo a todos os filhos de mãe soropositiva e dar atenção médica à mãe (MP pág. 60; MNO pág. 29).
Fonte: Ministério da Saúde e Esportes da Bolívia, Programa Nacional de Chagas — Manual de Processos para a Detecção, Diagnóstico, Tratamento e Seguimento da Doença de Chagas Infantil (2007); Manual de Normas Técnicas e Operativas… Chagas Crônica Recente Infantil (2.ª ed., 2007); Manual de Normas para o Diagnóstico e Tratamento da Doença de Chagas Congênita (2011) e Protocolo de Manejo das Reações Adversas pelo Tratamento Etiológico (2007)

Toma de amostra do cordão umbilical

  • Limpar a extremidade distal do cordão, abrir a pinça e coletar a amostra em tubo heparinizado sem enchê-lo por completo (MC pág. 16).
  • Misturar suavemente dez vezes, identificar o tubo e refrigerar sem congelar por no máximo 12 horas (MC pág. 16).

Tratamento da doença de Chagas congênita (menores de 1 ano)

  • Diluir um comprimido de 100 mg de benznidazol em 10 mL de água (10 mg/mL) e agitar antes de cada uso (MC pág. 20).
  • Iniciar com 7 mg/kg/dia em duas tomas a cada 12 horas e ajustar para 10 mg/kg/dia até completar os 30 dias (MC pág. 20).
  • Prolongar o tratamento tantos dias quanto durou uma interrupção menor que 7 dias, até cumprir os 30 dias (MC pág. 20).
  • Reiniciar o esquema de 30 dias se a interrupção superar os 7 dias.
  • Guardar em frasco opaco, dar a primeira dose com a mãe e entregar o medicamento diluído para uma semana (MC pág. 20).
  • Não unificar os 30 dias do congênito com os 60 dias das crianças de 9 meses a <15 anos: populações distintas (MP pág. 63).

Interpretação da sorologia do recém-nascido

  • Interpretar o HAI aos 6-12 meses: repetir aos 3 meses se o título for 1/16, 1/32 ou 1/64.
  • Tratar como Chagas congênito se o título for 1/128 ou mais (MC pág. 17).

Definição e notificação do caso congênito

  • Definir como congênito o filho de mãe soropositiva com micrométodo positivo antes dos 6 meses (MC pág. 18).
  • Considerar congênito se a sorologia for positiva desde os 6 meses, descartadas outras vias de transmissão (MC pág. 18).

Pediatria

Resumo

Quem tratar

  • Tratar crianças de 9 meses a menores de 15 anos em área endêmica sob controle vetorial (MP págs. 29 e 61; MNO págs. 19-20).
  • Exigir infestação residual do vetor <3 % e sem colonização intradomiciliar.

Detecção

  • Fazer triagem com imunocromatografia e confirmar os positivos com ELISA quantitativo no segundo nível (MP pág. 61; MNO pág. 20).
  • Processar os 10 % dos negativos com ELISA como controle de qualidade interno (MP pág. 61).

Esquemas e doses

  • Benznidazol 5-7 mg/kg/dia em duas tomas durante 60 dias; máximo 300 mg/dia (MP págs. 63-64; MNO págs. 35 e 38; PRAM pág. 43).
  • Nifurtimox 10-15 mg/kg/dia em duas tomas, 60 dias, reservado a RAM graves do benznidazol (MP págs. 63-64; MNO págs. 35 e 38; PRAM pág. 43).
  • Manter o esquema nacional de 60 dias; não unificá-lo com os 30 dias do Guia OPS 2026 (MP pág. 63; MNO pág. 35).

Antes de iniciar o tratamento

  • Descartar tuberculose, anemia grave e insuficiência renal ou hepática, e exigir consentimento informado assinado (MP pág. 62; MNO págs. 29-30).

Controle durante o tratamento

  • Controlar semanalmente e pesar em cada controle para ajustar a dose (MP pág. 64; MNO pág. 36).
  • Fazer visita domiciliar se a criança não comparecer antes do 5.º dia (MP pág. 65; MNO pág. 32).
  • Dar alta médica ao completar os 60 dias de tratamento (MP pág. 66; MNO pág. 41).
Fonte: Ministério da Saúde e Esportes da Bolívia, Programa Nacional de Chagas — Manual de Processos para a Detecção, Diagnóstico, Tratamento e Seguimento da Doença de Chagas Infantil (2007); Manual de Normas Técnicas e Operativas… Chagas Crônica Recente Infantil (2.ª ed., 2007); Manual de Normas para o Diagnóstico e Tratamento da Doença de Chagas Congênita (2011) e Protocolo de Manejo das Reações Adversas pelo Tratamento Etiológico (2007)

Contraindicações

  • Não iniciar o tratamento diante de alguma destas contraindicações (PRAM pág. 28; MNO pág. 34):
  • Impossibilidade de seguimento durante o tratamento por pessoal de saúde capacitado.
  • Afeções hepáticas, renais ou neurológicas moderadas a graves.
  • Infecções sistêmicas e insuficiência cardíaca ou respiratória moderadas a graves.
  • Doenças infecciosas agudas.
  • Antecedentes de convulsões ou epilepsia.
  • Amamentação e gestação.
  • Desnutrição grave, diarreia crônica e anemia grave.
  • Tuberculose.

Preparo e administração

  • Comprimidos sulcados de 100 mg (benznidazol) e 120 mg (nifurtimox), fracionáveis em metades ou quartos (MP págs. 63-64; MNO págs. 36 e 40).
  • Conservar em frasco opaco, ao abrigo da luz e da umidade, e administrar após as refeições (MP págs. 63-64; MNO págs. 36 e 40).
  • Nunca juntar as tomas esquecidas: dar a dose diária completa desde o início (MP págs. 63-64; MNO pág. 35).
  • Subir de 5 a 7 mg/kg/dia (benznidazol) ou de 10 a 15 mg/kg/dia (nifurtimox) para evitar fracionamento excessivo (MP págs. 63-64; MNO pág. 35).
  • Entregar o medicamento fracionado para 7 dias; a primeira dose é administrada pelo médico (MP pág. 65; MNO pág. 40).

Interrupções e referência

  • Reiniciar o tratamento suspenso contando os dias desde a suspensão, até completar os 60 dias efetivos (MNO pág. 41).
  • Entregar os medicamentos ao centro de saúde de referência se a criança migrar ou viajar (MP pág. 65; MNO pág. 41).

Eficácia

  • Resultado favorável em mais de 70 % das crianças menores de 15 anos (MP pág. 27).
  • Negativação sorológica em até 60 % dos escolares menores de 12 anos (MP pág. 57).
  • Eficácia próxima de 100 % no menor de 1 ano, maior quanto menor a idade (PRAM pág. 15).

Alcance destas normas

  • Cobrem de 9 meses a menores de 15 anos e a Chagas congênita; o adulto segue o Guia OPS (MP pág. 29; MC pág. 21).

Reações adversas

Resumo

Classificação e frequência

  • Classificar as RAM em tipo A (dependentes da dose, ~80 %) e tipo B (idiossincrásicas ou de hipersensibilidade) (PRAM pág. 16).
  • Registrar RAM de leves a graves em 69,7 % e graves (síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica) em 5,3 % (PRAM, prefácio).
  • Em crianças pequenas são pouco frequentes (20 %) e leves (PRAM pág. 15).
  • Classificá-las por gravidade (leve, moderada, grave) e localização (dermatológica, digestiva, neurológica, hematológica) (PRAM págs. 20-21).

Conduta diante de uma RAM

  • Suspender a toma e consultar o pediatra ou médico diante de qualquer RAM (MP pág. 67; PRAM pág. 23).
  • Reiniciar até completar os dias programados e trocar para nifurtimox se a RAM reaparecer.
  • A dermatite aparece por volta do 9.º dia e a polineuropatia a partir da 4.ª semana (PRAM págs. 22 e 25).

Farmacovigilância

  • Benznidazol como primeira escolha; nifurtimox como segunda alternativa diante de RAM graves (PRAM pág. 15; MP pág. 63).
  • Controlar semanalmente durante os 60 dias e aos 15 dias de encerrado o tratamento (PRAM pág. 18).
  • Resgatar antes das 24 horas diante de RAM leve ou moderada e avaliar a causalidade com o algoritmo de Naranjo (PRAM págs. 18-19).
Fonte: Ministério da Saúde e Esportes da Bolívia, Programa Nacional de Chagas — Manual de Processos para a Detecção, Diagnóstico, Tratamento e Seguimento da Doença de Chagas Infantil (2007); Manual de Normas Técnicas e Operativas… Chagas Crônica Recente Infantil (2.ª ed., 2007); Manual de Normas para o Diagnóstico e Tratamento da Doença de Chagas Congênita (2011) e Protocolo de Manejo das Reações Adversas pelo Tratamento Etiológico (2007)

Manejo dermatológico

  • São as reações mais frequentes: cerca de metade das RAM (PRAM págs. 20 e 22).
  • Leve: continuar, revisar a dose (máximo 300 mg/dia de benznidazol, a cada 12 horas) e dar clorfeniramina ou loratadina com hidrocortisona tópica (PRAM pág. 23).
  • Moderada: suspender de 3 a 5 dias, dar anti-histamínico com corticosteroide e controle diário (PRAM págs. 22-23).
  • Se os sinais cederem, continuar com a dose mínima; se reaparecerem, suspender o benznidazol e considerar o nifurtimox (PRAM págs. 22-23).
  • Grave: síndrome de Stevens-Johnson (mortalidade <5 %) e necrólise epidérmica tóxica (mortalidade 30 %).
  • Suspender de imediato, estabilizar, encaminhar com urgência ao terceiro nível e internar em unidade de queimados ou UTI (PRAM págs. 22-23 e 27).

Manejo digestivo e neurológico

  • Grave digestivo: suspender e encaminhar com urgência por dor abdominal contínua, vômitos incoercíveis, perda de peso >10 %, colúria, hepatomegalia ou icterícia (PRAM págs. 24-25).
  • Grave neurológico: suspender e encaminhar por impotência funcional, dor permanente ou alteração da sensibilidade (PRAM págs. 24-25).
  • Moderado: suspender de 3 a 5 dias e dar hidróxido de alumínio, ranitidina, domperidona, ibuprofeno ou paracetamol com complexo B (PRAM págs. 24-25).
  • Continuar com a dose mínima se a reação remitir (PRAM págs. 24-25).

Manejo hematológico

  • Suspender e encaminhar com urgência ao terceiro nível por petéquias, hematomas espontâneos, sangramento de mucosas ou febre sem foco (PRAM pág. 26).
  • Pode haver leucopenia, plaquetopenia, agranulocitose e anemia; a depressão intensa da medula óssea é muito rara (MNO pág. 37).

Polineuropatia

  • É dependente da dose: com 5 mg/kg/dia de benznidazol aparece em 10 a 30 % dos casos (PRAM pág. 43).
  • Apresenta-se a partir da 4.ª semana e às vezes depois do tratamento, com doses acumuladas de 15 g (PRAM pág. 43).
  • O complexo B não previne (PRAM pág. 43).
  • Causa parestesias, dificuldade para caminhar, dor nas extremidades e formigamento, e costuma obrigar à suspensão definitiva do benznidazol (PRAM pág. 25; MNO pág. 37).

Conduta na doença de Chagas congênita

  • Não houve RAM graves em menores de 1 ano: quanto menor a idade, menor a probabilidade (MC pág. 21).
  • Diante de erupção cutânea, baixar para 5 mg/kg/dia e associar maleato de clorfeniramina 0,2 mg/kg/dia em três tomas (MC págs. 21-22).
  • Se persistir, suspender o benznidazol e reiniciar com 5 mg/kg/dia; se reaparecer, suspendê-lo e avaliar o nifurtimox (MC pág. 21).
  • Suspender de imediato diante de petéquias, leucopenia, trombocitopenia ou vesículas cutâneas (MC pág. 21).

Educação da família

  • Ensinar os sinais pelos quais deve suspender e procurar de imediato: febre, erupção, prurido, vômitos, artralgias, edema e petéquias (PRAM págs. 27 e 29).
  • Registrar a toma diária, conservar o medicamento protegido da luz, umidade e calor, e não automedicar (PRAM págs. 27 e 29).

Vigilância

Resumo

A OPAS recomenda aos Estados Membros:

  • Incluir a doença de Chagas entre os agravos de transmissão vertical a serem rastreados em mulheres em idade fértil.
  • Garantir o fornecimento de benznidazol e nifurtimox e o acesso aos serviços de saúde, especialmente para populações em desvantagem.
  • Implementar a busca sistemática de casos e a capacitação da equipe de saúde no diagnóstico e tratamento.
  • Articular os níveis de atenção para garantir a continuidade assistencial.
  • Fortalecer os sistemas de informação e vigilância epidemiológica.

Barreiras e estratégias de implementação

  • Barreiras: falta de conhecimento das guias pelo pessoal de saúde, escassez de insumos diagnósticos e terapêuticos, dificuldades geográficas e socioeconômicas e limitação de recursos humanos.
  • Estratégias: capacitação, materiais, lembretes digitais nos prontuários, políticas de apoio, sistemas de apoio à decisão, auditoria e feedback, divulgação e apoio administrativo.
Fonte: Guia para o diagnóstico e o tratamento da doença de Chagas. 2ª edição. OPAS, 2026

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